Rotina de estudos

Celular e estudo para o Enem: o que a lei não alcança

Levantamento do Inep mostra a restrição do aparelho em 92% das escolas e mais concentração nas aulas; a parte da preparação que acontece em casa, porém, continua sem regra nenhuma

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Um ano depois de entrar em vigor, a lei que restringe o celular nas escolas brasileiras alcança 92% dos estabelecimentos, segundo levantamento do Inep feito com o Instituto Alana e a Unesco, divulgado em junho. Entre os gestores ouvidos, 95% relataram mais concentração nas aulas. O que a pesquisa não mede é o que acontece depois do portão — e, para quem vai prestar o Enem em 8 e 15 de novembro, a maior parte das horas de estudo acontece em casa, onde nenhuma regra vale.

O que o levantamento do Inep mostrou

O questionário foi respondido por 8.189 gestores de escolas públicas e privadas entre março e abril deste ano. Antes da Lei 15.100, sancionada em 2025, 13% das escolas permitiam uso irrestrito do aparelho; essa permissão praticamente desapareceu. A restrição valendo em todos os espaços, inclusive pátio e intervalo, mais que dobrou, de 20% para 48%. O retrato, porém, é de sala de aula. A preparação para o Enem se estende por tardes de fim de semana e noites depois do trabalho, e nesse território a decisão sobre o celular é individual.

A conta que a interrupção cobra

O prejuízo de olhar a tela não é o minuto gasto olhando: é a retomada. Pesquisadores que estudam atenção descrevem um custo de troca de tarefa — ao sair de uma leitura, o cérebro leva algum tempo até recuperar o fio, e quanto mais complexa a tarefa, maior esse intervalo. O Enem é um exame de enunciado longo, em que o dado decisivo costuma estar no meio de um texto de vinte linhas ou num gráfico que precisa ser cruzado com o comando da questão. Quem interrompe a leitura na linha doze raramente volta para a linha treze: volta para o começo. Professores de cursinho resumem o efeito: o aluno faz vinte questões em duas horas e jura ter estudado duas horas.

O aparelho silenciado ainda ocupa espaço

Desligar o som resolve menos do que parece. Com o celular ao alcance da mão, parte do esforço passa a ser gasta na decisão repetida de não pegá-lo, e essa vigilância consome recurso mental. No caso de quem estuda para o Enem há uma complicação extra: o mesmo aparelho que dispersa é ferramenta de estudo. Nele estão a videoaula, o PDF da apostila, o cronômetro do simulado e o grupo da turma. A separação entre instrumento e distração não vem do aparelho, e sim de como a sessão de estudo foi montada.

Regras domésticas que costumam funcionar

A medida mais eficaz é a mais simples: distância física. Deixar o celular em outro cômodo durante um bloco de estudo funciona melhor que qualquer aplicativo de bloqueio, porque transforma o impulso de dois segundos numa caminhada. Vale declarar a duração do bloco antes de começar, com hora de fim visível, e concentrar as consultas em janelas fixas entre um bloco e outro. Uma folha ao lado do caderno para anotar dúvidas elimina boa parte das buscas que interrompem: quase toda pergunta que aparece no meio de uma lista espera quinze minutos.

O domingo de prova é sem celular de qualquer maneira

Há um argumento prático mais forte que qualquer teoria sobre atenção. Nos dois domingos de aplicação, o aparelho fica desligado dentro de um envelope lacrado, debaixo da carteira, por cinco horas e meia no primeiro dia. Ninguém consulta nada, ninguém olha o relógio da tela. Quem passou o ano estudando com o celular ao lado estreia essa condição justamente no dia em que ela custa caro. Simulados completos, cronometrados e com o aparelho fora da mesa mostram, com semanas de antecedência, qual é o próprio ritmo de leitura sem interrupção.

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Perguntas frequentes

Celular pode entrar na sala de prova do Enem 2026?

Pode entrar, mas não pode ficar acessível. Pelas regras do Inep, o participante entrega o celular e os demais equipamentos eletrônicos desligados no envelope porta-objetos fornecido pelo aplicador, que fica lacrado embaixo da carteira até a saída da sala. Aparelho que emitir qualquer som durante a aplicação, mesmo dentro do envelope, elimina o candidato, assim como ser flagrado com ele em mãos. Por isso vale desativar alarmes e despertadores antes de chegar ao local de prova, em 8 e 15 de novembro.

A lei que restringe o celular nas escolas vale para o estudo em casa?

Não. A Lei 15.100, de 2025, alcança apenas os estabelecimentos de educação básica, públicos e privados, durante aulas, recreios e intervalos, com exceções para uso pedagógico, acessibilidade e saúde. Nada nela regula o estudo domiciliar, que é justamente onde o candidato ao Enem passa a maior parte das horas de preparação — por isso a organização da rotina em casa depende de regras que o próprio estudante estabelece.

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