O Enem pode deixar de ser uma prova apenas de marcar alternativa. O presidente do Inep, Manuel Palácios, afirmou que o instituto estuda incluir questões abertas no exame e criar blocos eletivos ligados aos itinerários formativos do ensino médio. As declarações foram dadas após sua participação no VI Seminário Internacional de Gestão Educacional, em São Paulo, e publicadas pelo Diário do Nordeste na quarta-feira, 26 de agosto. Nenhuma das mudanças alcança a edição deste ano.
Questões abertas para medir compreensão leitora
A ideia em estudo é pedir que o candidato produza a resposta em vez de escolher entre cinco alternativas. Palácios disse que uma questão vem sendo especialmente discutida, que é o interesse de trabalhar com a compreensão leitora — na prática, apresentar um artigo ou texto durante a avaliação e pedir que o estudante resuma as ideias apresentadas ali. É um formato que o Enem nunca teve fora da redação: hoje as 180 questões são todas objetivas, lidas por leitura óptica e convertidas em nota pela TRI. Resposta escrita exige outro tipo de correção e muda a logística de um exame com milhões de participantes.
Itinerários formativos e o fim da prova única
A segunda frente é mais estrutural. O Inep analisa inserir questões eletivas que avaliem o itinerário formativo cursado pelo estudante no novo ensino médio: o exame manteria uma parte comum a todos e acrescentaria blocos específicos conforme a área de aprofundamento de cada um. "Na prática, a inclusão dos itinerários formativos faz com que você não tenha uma prova única", afirmou Palácios ao Diário do Nordeste. Seria o fim do caderno com os mesmos itens para todo candidato do país, desenho que o exame mantém desde a reformulação de 2009 e que sustenta a comparação direta de notas no Sisu.
Por que a discussão voltou agora
O gatilho é a nova função do exame. Pelo Decreto 12.915, assinado em 30 de março deste ano, o Enem passou a compor o Saeb e substitui a avaliação aplicada aos alunos do terceiro ano do ensino médio. A mesma prova que distribui vagas na universidade passa a medir a qualidade da educação básica, e é essa dupla função que reabriu a discussão sobre o formato, somada à previsão de uma nova matriz de referência até 2028. "As discussões que estamos fazendo com inovações no teste devem começar a entrar em efeito a partir de 2028", disse o presidente do Inep.
Meta de participação e prova na escola de origem
Para servir de termômetro da rede, o exame precisa de presença. Segundo Palácios, 80% dos candidatos concluintes devem fazer a prova nas escolas de origem, e o Inep pretende ampliar o número de locais de aplicação para alcançar a meta de 70% de participação dos estudantes. É a mudança menos comentada da lista e talvez a de efeito mais imediato: aplicar o exame dentro da própria escola encurta o deslocamento no domingo de prova, um dos motivos que aparecem com frequência nas explicações para a abstenção histórica do Enem.
O que muda para quem faz o Enem 2026
Nada. A edição deste ano será aplicada nos domingos de 8 e 15 de novembro no formato conhecido, com questões objetivas nas quatro áreas e redação dissertativo-argumentativa — e a redação, segundo o Inep, continua fazendo parte do exame mesmo nos cenários em discussão. O recado é para quem vem depois: 2028 é o Enem de quem hoje cursa a primeira série do ensino médio. Como toda proposta ainda em estudo, o desenho final depende da nova matriz e das regras de transição que o MEC ainda vai publicar — até lá, nada está fechado.
Matéria com informações de Alexia Vieira, do Diário do Nordeste (26/8/2026), e da Agência Brasil sobre o Decreto 12.915. Post sem imagem por não haver material com licença aberta confirmada.
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