Mais de 11,5 mil estudantes que tiraram pelo menos 650 pontos no Enem e ingressaram neste ano em cursos presenciais de licenciatura podem receber uma bolsa de R$ 1.050 por mês até o fim da graduação. O Ministério da Educação voltou a convocar esse público nesta quinta-feira, 10 de setembro, para o cadastro no Pé-de-Meia Licenciaturas. As inscrições de quem entrou em 2026 seguem abertas até 19 de dezembro, enquanto houver disponibilidade de vagas.
Quem se enquadra na bolsa de R$ 1.050
O recorte é estreito e combina três exigências. A primeira é a nota: só entra quem obteve 650 pontos ou mais no Exame Nacional do Ensino Médio. A segunda é o curso: a graduação precisa ser uma licenciatura presencial, o que deixa a modalidade a distância fora do programa. A terceira é a porta de entrada: a matrícula tem de ter sido feita por Sisu, ProUni ou Fies. Pelos números do MEC, mais de 11,5 mil estudantes espalhados pelo país cumprem os três critérios entre os ingressantes de 2026.
R$ 700 no bolso, R$ 350 presos à sala de aula
O valor mensal não chega inteiro à conta. Do total de R$ 1.050, R$ 700 são de saque livre e funcionam como bolsa de manutenção ao longo do curso. Os outros R$ 350 vão para uma poupança vinculada ao programa e ficam bloqueados: só podem ser sacados se, depois de formado, o bolsista assumir vaga de professor em rede pública de ensino no prazo de cinco anos. É o mesmo desenho do Pé-de-Meia do ensino médio, que retém parte dos incentivos até a conclusão da etapa, aplicado agora à formação docente.
Cadastro na Plataforma Freire e calendário de pagamento
O cadastro é feito na Plataforma Freire, sistema da Capes que reúne as ações de formação de professores. A análise e a aprovação das pré-inscrições ficam a cargo da própria Capes e acontecem até o dia 20 de cada mês; aprovado o pedido e confirmada a matrícula pela instituição de ensino, o pagamento sai até o quinto dia útil seguinte. Como o fluxo é contínuo até 19 de dezembro, mas condicionado à disponibilidade de vagas, quem deixa para depois corre o risco de encontrar o programa sem espaço. A Capes atende dúvidas pelo e-mail [email protected].
Uma bolsa desenhada para segurar o futuro professor
O Pé-de-Meia Licenciaturas integra o Mais Professores para o Brasil, política do MEC voltada à formação e à atração de docentes para a educação básica. A lógica aparece na própria regra do saque: não basta cursar a licenciatura, é preciso chegar à sala de aula da rede pública para receber a parte retida. O critério dos 650 pontos vai na mesma direção, ao mirar quem tem desempenho alto no exame — perfil que historicamente tende a migrar para carreiras de remuneração inicial mais alta. O programa tenta disputar esse estudante com dinheiro no começo do curso e um incentivo extra no fim.
O que muda para quem presta o Enem 2026
Para quem vai encarar as provas de 8 e 15 de novembro, o patamar de 650 pontos ganha um significado prático que vai além da nota de corte do curso pretendido. Cabe a ressalva: as regras em vigor valem para a turma que ingressou em 2026, e a extensão do benefício a quem entrar em 2027 depende de novo edital da Capes, nada está garantido de antemão. O critério exato de cálculo da nota consta nas regras do programa, e é lá que o interessado deve conferir o que entra na conta. De todo modo, chegar a esse nível costuma exigir desempenho equilibrado nas quatro áreas e na redação, não um pico isolado.
Matéria com informações da Agência Gov, do Ministério da Educação. As regras completas do benefício estão na página do Pé-de-Meia Licenciaturas na Capes.
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