Faltam pouco mais de cinco semanas para o domingo, 27 de setembro, quando o Instituto Tecnológico de Aeronáutica aplica a primeira fase do Vestibular ITA 2027. São 200 vagas em disputa, e a estrutura do exame explica por que o instituto segue como um dos processos seletivos mais duros do país: quase todo mundo é eliminado antes de escrever a primeira linha de uma prova dissertativa.
O funil do ITA 2027 se fecha já no primeiro domingo
A prova de abertura tem 48 questões objetivas, divididas em blocos iguais de Matemática, Física, Química e Inglês, com cinco horas de duração. A média de classificação, porém, sai só das 36 questões de exatas — Inglês não pontua para a média, mas elimina quem acerta menos de cinco das doze. O mesmo piso vale para cada uma das outras três matérias, e ainda é preciso média igual ou superior a 5,0 para seguir. Só então vem o corte mais rígido: seguem para a segunda fase os 490 melhores da ampla concorrência, além de 175 candidatos autodeclarados pretos e pardos, 21 indígenas e 14 quilombolas.
A segunda fase cobra outra habilidade
Quem passa encontra em outubro, entre os dias 20 e 23, uma prova de natureza completamente diferente. São quatro tardes seguidas, de quatro horas cada, com dez questões dissertativas de Matemática, dez de Química, dez de Física e um último dia dedicado ao Português — quinze questões objetivas somadas a uma redação dissertativo-argumentativa de 25 a 35 linhas, corrigida de forma independente por dois avaliadores. As regras de eliminação desse último dia costumam pegar candidato de exatas desprevenido: nota inferior a 4 na redação, ou cinco acertos ou menos nas objetivas de Português, tira do páreo quem foi bem nas três provas anteriores.
Um calendário que se sobrepõe ao do ENEM
Praticamente ninguém aposta só no ITA. O candidato típico do instituto passa setembro e outubro em provas de fase única ou de segunda fase e, logo em seguida, encara o ENEM 2026, marcado para 8 e 15 de novembro — a porta de entrada para as engenharias das federais pelo Sisu. O resultado final do ITA só sai em 8 de dezembro. Entre o fim de setembro e meados de novembro, portanto, o mesmo estudante enfrenta dois formatos que quase não conversam entre si: um de profundidade em exatas, outro de amplitude e interpretação em quatro áreas.
O que custa se preparar para um vestibular assim
Preparatórios especializados em ITA e IME estão entre os mais caros do mercado, com pacotes anuais que passam facilmente da casa dos milhares de reais e turmas que se concentram em poucas capitais. Professores da área lembram, no entanto, que o material mais valioso dessa preparação é público: as provas anteriores do próprio instituto e o acervo de questões oficiais dos grandes exames nacionais. O dinheiro compra hoje menos o acesso ao conteúdo e mais a rotina de treino organizada — parte que pode ser reproduzida fora do circuito dos cursinhos de elite.
Cinco semanas ainda mudam o resultado
Com o corte mínimo por disciplina, a estratégia de abandonar uma matéria fraca simplesmente não funciona no ITA. O que resta de tempo até 27 de setembro tende a render mais em simulados cronometrados no mesmo horário da prova, seguidos de revisão detalhada dos erros, do que em leitura passiva de teoria nova. E, com o ENEM logo na sequência, quem intercala o treino específico de exatas com prova completa das quatro áreas chega a novembro sem a sensação de ter trocado um exame pelo outro.
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